· Rafael Galasso

Instalação elétrica só é lembrada quando falha

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Eletricista de capacete e lanterna na cabeça a fazer manutenção num quadro elétrico com uma chave de fendas

Uma conversa com Rafael Galasso, CEO da TEG Monitor.

Existe uma parte de qualquer empresa que quase ninguém vê, mas que sustenta praticamente tudo o que ali acontece: a instalação elétrica.

Enquanto as luzes acendem, as máquinas funcionam e os computadores se mantêm ligados, é natural pensar que está tudo bem. A parte elétrica fica escondida atrás de paredes, portas de quadros e rotinas que já se tornaram automáticas. Só volta a ser assunto quando um disjuntor dispara, um equipamento para, surge um ponto de aquecimento ou uma parte da operação fica sem energia.

Depois de tantos anos a trabalhar com manutenção, aprendi que esse silêncio pode enganar.

Funcionar não é o mesmo que estar bem

Muitas instalações continuam a funcionar mesmo com sinais de que alguma coisa precisa de atenção. Uma ligação pode estar a aquecer. Um quadro pode ter recebido circuitos que não existiam no projeto original. Uma carga pode ter crescido aos poucos. Uma proteção pode já não ser a adequada ao que tem de proteger.

Nada disto significa que a avaria vá acontecer nesse dia. E talvez seja precisamente por isso que o cuidado acaba por ser adiado.

Quando um problema elétrico ainda não interrompeu a operação, costuma perder espaço para outras urgências. Só que a energia não costuma pedir licença quando decide mostrar que há algo errado.

As empresas mudam. As instalações também deviam mudar.

Uma empresa raramente se mantém igual ao dia em que a sua instalação elétrica foi projetada. Chegam novos equipamentos, a produção aumenta, os espaços mudam de função, a climatização é ampliada, são instalados servidores e vão-se fazendo pequenos ajustes para responder às necessidades do momento.

Cada alteração pode parecer simples quando vista isoladamente. O problema surge quando ninguém olha para o conjunto.

A instalação que servia na perfeição a operação de há alguns anos pode estar hoje a trabalhar numa condição muito diferente. E nem sempre essa diferença é visível para quem circula no local.

O improviso também cria um histórico

Já encontrei instalações em que ninguém sabia explicar porque é que determinado circuito estava ligado daquela forma. Em algum momento, alguém teve de resolver uma necessidade urgente. Depois veio outra adaptação, e outra, e a solução provisória acabou por se tornar definitiva.

Não o digo para procurar culpados. A rotina de uma empresa está cheia de pressões reais. Mas toda a instalação acumula decisões, e chega uma altura em que é preciso rever esse histórico com critério técnico.

Um bom diagnóstico não começa por perguntar apenas o que parou. Pergunta o que mudou, o que foi acrescentado, quais são os equipamentos críticos e que impacto teria uma interrupção naquela operação.

Manutenção elétrica preventiva não é trocar peças por calendário

Cuidar da parte elétrica não é abrir um quadro de tempos a tempos, tirar uma fotografia e dar o serviço por concluído. A manutenção tem de produzir informação útil.

Medições, inspeções, termografia, ensaios e análise do histórico ajudam a revelar aquecimentos, desequilíbrios, sobrecargas, mau contacto e sinais de degradação. Mais importante do que acumular relatórios é transformar o que foi encontrado em prioridades claras: o que tem de ser corrigido já, o que pode ser programado e o que deve continuar a ser acompanhado.

Os relatórios técnicos também fazem parte desse cuidado. Permitem que a empresa conheça a sua própria instalação, tome melhores decisões e não recomece o diagnóstico do zero a cada intervenção.

Segurança e continuidade fazem parte da mesma conversa

Por vezes, a segurança é tratada como obrigação e a continuidade operacional como resultado financeiro. Na prática, as duas coisas encontram-se.

Uma instalação organizada, protegida, documentada e mantida por profissionais qualificados reduz a exposição das pessoas e diminui também o risco de paragens. Quando a empresa conhece os seus pontos críticos, consegue planear intervenções, preparar contingências e evitar que cada decisão seja tomada no meio de uma emergência.

É um dos motivos pelos quais acredito tanto numa visão integrada da manutenção. O gerador, o transformador, a UPS, os quadros, os painéis e as cargas não vivem separados. Fazem todos parte do mesmo caminho da energia.

O melhor momento para olhar é antes do sinal mais evidente

Não precisamos de esperar por cheiro a queimado, falha de energia ou equipamento parado para reconhecer que a instalação merece atenção. O melhor momento para avaliar é quando ainda há espaço para planear.

Na TEG Monitor, o nosso trabalho de manutenção elétrica começa por perceber a operação e o risco que aquela estrutura representa. Depois vêm o diagnóstico, o plano, a execução e o acompanhamento. Em Portugal, a execução é feita pela nossa rede de técnicos próprios e credenciados, sempre coordenada pela central TEG — o contrato, o prazo e a responsabilidade são sempre nossos.

A tecnologia ajuda muito. Sensores, telemetria e históricos dão visibilidade ao que antes passava despercebido. Mas não substitui o olhar de engenharia nem a responsabilidade de agir sobre os dados.

Se pudesse deixar uma única reflexão, seria esta: uma instalação elétrica não devia precisar de falhar para ser lembrada.

Quando está silenciosa, pode ser o melhor momento para cuidar dela. Se quiser falar sobre a instalação elétrica da sua empresa, contacte-nos.

Para ir mais longe, leia como evitar paragens com a manutenção elétrica nas empresas.

Um abraço,

Rafael Galasso CEO, TEG Monitor